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Trump, a Rússia e a Última Oportunidade do Ocidente: Uma Leitura pela Teoria da Transição de Poder

‘A estabilidade internacional não é dada, mas construída — depende de como satisfazemos ou frustramos as expectativas das grandes potências.’ […]

A maioria dos analistas e comentaristas continua a subestimar Trump. Veem impulso onde há instinto. Confundem caos com estratégia. E, por isso, não percebem que estamos diante de uma possibilidade histórica única — talvez a última — de redefinir o sistema internacional.

1991–2007: Integração perdida e ruptura

Entre 1991 e 2007, a relação entre Rússia e o Ocidente foi marcada por avanços tímidos, retrocessos profundos e, sobretudo, oportunidades desperdiçadas:

  • 1991: o colapso da URSS abre a porta para uma Rússia disposta a dialogar com a OTAN e a UE.
  • 1994: Moscou adere à Parceria para a Paz.
  • 1997: o Ato Fundador OTAN–Rússia cria um mecanismo de consulta — mas sem dar poder real.
  • 1999/2004: a OTAN se expande para o Leste (incluindo os Bálticos), consolidando a exclusão russa.
  • 2000–2002: Putin, ainda ambivalente, chega a perguntar: ‘Por que não entrar na OTAN?’ e coopera com os EUA após o 11 de setembro.
  • 2007: no famoso discurso de Munique, Putin decreta o fim da ilusão: a Rússia não aceitava mais a ordem ‘unipolar’.

A lógica estrutural: insatisfação + exclusão = confronto

Esse arco histórico confirma as previsões da Teoria da Transição de Poder (Organski, 1958; Kugler & Tammen, 2000; Lemke, 2002): conflitos sistêmicos emergem quando uma potência em ascensão ou em recuperação se aproxima do poder da hegemônica e está insatisfeita com sua posição no sistema. A Rússia dos anos 1990 poderia ter sido integrada, mas não foi. Como demonstram Efird, Kugler & Abdollahian (2003), potências satisfeitas tendem a cooperar; potências insatisfeitas, a desafiar a ordem.

Instituições como termostatos de satisfação

Robert Keohane (1984) já havia alertado que instituições não são ornamentos — são mecanismos de redução de custos de transação e de monitoramento que dão credibilidade aos compromissos. Ikenberry (2001) mostrou que as ordens internacionais duráveis são aquelas em que a potência hegemônica se amarra institucionalmente e concede voz a secundários. O erro do Ocidente foi expandir suas instituições sem oferecer voz à Rússia, criando ressentimento e exclusão.

A barganha ucraniana e o problema da credibilidade

Como lembram Fearon (1995) e Powell (2006), guerras prolongam-se quando não há garantias credíveis de que uma das partes não explorará o futuro em seu favor. Barbara Walter (1997) e Virginia Fortna (2004, 2008) são categóricas: cessar-fogos frágeis não sobrevivem sem fiscalização externa, enforcement e mecanismos de reciprocidade sequenciada.

O instinto de Trump: virar o tabuleiro

Trump é mal interpretado porque os analistas não enxergam a lógica estrutural por trás de seus instintos. Ele não pensa em ‘apaziguar’ Putin — pensa em virar o tabuleiro. E se o verdadeiro fim de jogo não for apenas encerrar a guerra, mas sim corrigir o erro dos anos 1990? E se a solução definitiva for integrar Rússia e Ucrânia na OTAN e na União Europeia, sob condições estritas e enforcement internacional?

As consequências de uma integração radical

  • Golpe fatal na China: a ‘parceria sem limites’ se desfaz.
  • Europa inquebrável: OTAN e UE controlam a maior base industrial, energética e militar do planeta.
  • Reordenação global: o Ocidente volta a ditar as regras, mas agora pela via da integração institucional — exatamente como defendem Keohane e Ikenberry.
  • Soberania plena da Ucrânia: não mais um tampão, mas um membro pleno do Ocidente.
  • Neutralização da insatisfação russa: como mostram Kugler e Tammen, paz duradoura depende de satisfação com o sistema.

Conclusão: uma chance rara e última

A história é cruel com segundas chances. Entre 1991 e 2007, o Ocidente teve a oportunidade de integrar a Rússia. Não o fez — e pagamos o preço em sangue na Ucrânia. Agora, paradoxalmente, a guerra abriu uma segunda e última janela. Como disse Jacek Kugler: ‘A estabilidade internacional não é dada, mas construída — depende de como satisfazemos ou frustramos as expectativas das grandes potências.’ Se o Ocidente tiver a ousadia de dar o passo final — integrar Rússia e Ucrânia à OTAN e à União Europeia — não apenas encerrará a guerra. Isso aniquilará a ambição chinesa de dominar o século XXI, consolidará a Eurásia sob liderança ocidental e reescreverá as regras do jogo global. A história raramente dá segundas chances. Esta pode ser a última.

 

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